Um indivíduo inquieto, que acha que seu trabalho é um reflexo disso: um caos ordenado. Na entrevista de hoje, conversamos com Pedro Muniz – ou Mooniz – como também é conhecido. Designer gráfico freelancer e ilustrador, ele já carrega bons trabalhos em seu portfolio, como flyers de algumas festas do Recife, capas de CD – incluíndo as da Fresno – e ilustrações que possuem um traço bem característico. Confira abaixo nossa conversa e alguns desses trabalhos.

Marco Zero: Como foi teu início na área criativa?
Pedro Mooniz: Comecei cedo, ainda criança, desenhando personagens de histórias em quadrinhos, RPG e video games. Eu era muito fã dos desenhos japoneses quando mais novo. O interesse em trabalhar na área criativa (por mais que eu não soubesse o que isso queria dizer na época) começou aí. Mais pra frente, no colegial, um amigo me apresentou o Photoshop e eu abandonei completamente as ilustrações que eu fazia no papel e comecei a me dedicar ao design gráfico. Comecei ilustrando por brincadeira quando criança e, sem querer, foi ficando sério com o design.

MZ: Já li algumas descrições a teu respeito e vi que você se considera autodidata. Existe algum interesse teu em fazer faculdade para se especializar? Você acha que perdeu alguma oportunidade de emprego por não ter formação acadêmica?
Pedro: Existe sim. Já pensei em cursar publicidade, design e hoje em dia considero até arquitetura. É complicado, mas tenho interesse, sim. Se eu pudesse, faria tudo de uma vez só.

Sobre as oportunidades de trabalho, não que eu saiba, mas consigo enxergar isso como uma limitação (e uma possível razão pra não conseguir um emprego) em algumas esferas de trabalho.

MZ: Atualmente você atua como designer gráfico freelancer. Teve algum motivo para não investir na sua carreira dentro de agências ou escritórios de design?
Pedro: Passei quase um ano trabalhando em agências ou para agências. Cresci bastante e definitivamente vejo as vantagens e a importância de se trabalhar em tal ambiente, mas no momento acho mais interessante atuar como freelancer.

Existem vários motivos, mas um dos principais é a falta de liberdade e a dificuldade pra se criar que existe dentro de algumas agências. Você trabalha com criação, num ambiente criativo, mas quase nunca sente que está criando alguma coisa. As ideias são restritas e os clientes parecem ter pavor de arriscar. É exaustivo. Tenho experimentado processos que dificilmente se encaixariam no perfil de algumas agências e tenho tido tempo (e paciência) pra expandir o que já sei e aprender coisas novas. Em casa, por exemplo, posso perder algumas horas debulhando o Adobe After Effects se quiser. Trabalhando numa agência isso seria complicado.

É uma liberdade perigosa, eu sei, mas que tem valido a pena até agora. 

ID - Mema

Stationary

MZ: Como freelancer, você chega a ter uma rotina de trabalho?
Pedro: Depende da quantidade de trabalho. Quando tenho muitos projetos pra entregar de uma vez, sou obrigado a organizar uma rotina se não o fluxo de trabalho fica caótico e eu me perco. Em períodos mais tranquilos, reservo uma parte do dia pra investir em produções mais pessoais. Há um ano eu adotei essa “regra” em que eu tento produzir algo novo todo dia. Não é sempre que eu consigo, mas eu tento. É um exercício interessante.

MZ: Como foi o início do Pedro “ilustrador” e como surgiu a oportunidade de começar a vender suas ilustrações?
Pedro: Acho que pouca gente sabe disso, mas há alguns anos, fui ver dois amigos (Fernando Moraes e Raone Ferreira) desenharem um mural pra uma exposição deles em Boa Viagem e fiquei espantado com o que vi. Essa foi a primeira expo do IMARGINAL, se não me engano. Fiquei inspirado. Faziam anos que eu não tocava num lápis pra desenhar e todo esse tempo perdido pesou na hora em que eu vi o mural pronto. Eu senti que tinha que voltar a desenhar e assim o fiz. Desenhamos muito juntos nos meses seguintes, eles me apresentaram à Claudinha e Guga (donos da Nuvem) e depois de alguns meses investindo tempo nessas ilustrações, eu consegui um espaço na loja virtual deles. Devo muito a eles.

Ilustra 04

Ilustra 03

Arte Doodle

MZ: É impossível falar dos teus trabalhos, sem mencionarmos os que foram feitos para a Fresno. Como surgiu essa oportunidade e qual a importância desse trabalho para você?
Pedro: O ex-baixista da banda (Esteban) me achou no Twitter enquanto procurava alguém pra fazer um flyer pro projeto solo dele. Um amigo enviou o meu portfólio e ele entrou em contato. Fizemos algumas artes pro Esteban, depois pro Lucas (o vocalista) e depois de alguns meses me chamaram pra fazer o disco da Fresno.

Foi assustador no começo. Eu tinha 18 anos e tinha acabado de terminar o colegial. Nunca tive tanta visibilidade na minha vida. Nunca tinha feito o encarte de um disco também. Conheci muitas bandas e produtores do Sul e de São Paulo através desses trabalhos e, se não fosse pela Fresno, eu não teria feito tantas artes pra bandas.  Foi uma ponte pro resto do país, basicamente. Seguro dizer que foram os meus trabalhos mais importantes. Sou muito grato pela oportunidade.

Esteban - Smokers In Airplanes e Adiós, Esteban

Fresno - Infinito

Fresno - Eu Sou a Maré Viva

MZ: Quais suas principais referências no mundo das artes, ilustração ou design?
Pedro: Não tenho “principais referências”. Tenho uma pasta com referências no computador que todo dia cresce um pouquinho e reúne arquivos de vários tipos e fontes. Tenho trabalhos de outros artistas, fotografias de animais, plantas, vídeos, landscapes, texturas, ornamentos, construções… Qualquer coisa pode ser referência pra qualquer coisa. Eu guardo tudo.

De qualquer forma, vale a pena procurar por esses nomes no Google: Bruno 9li, Gregório Marangoni, Jon Contino, Hydro74, Signalnoise, Leif Podhjasky, VisualMelt, Invisible Creature, Iain Macarthur e ISO50. 

MZ: Qual trabalho que você tem mais orgulho ou mais gostou de ter feito?
Pedro: A capa do single “Can You Feel It” pra label de música eletrônica Konstrukt. Depois de várias revisões, eu e o cliente terminamos com uma peça que nos deu 100% de satisfação, o que é muito raro de acontecer.

Konstrukt - Can You Feel It Black 800

MZ: Quais teus próximos passos?
Pedro: Ultimamente tem rolado um interesse enorme em trabalhar com vídeo e fotografia. É algo que eu definitivamente tentarei colocar em prática esse ano. Também tenho planejado fazer alguns prints de artes digitais e documentar melhor o processo de criação de alguns trabalhos. Sempre quis fazer um making of.

Aqui vão mais trabalhos do Pedro. Os links para segui-lo nas redes sociais estão no fim do post:

Flyer - Tudo Junto 3

Flyer - Devil's Den 3

Pollares - Indestrutível

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Vitoria Bispo - O Que Eu Digo Não Se Escreve

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Foto: Alysson Maria

behance.net/pedromooniz
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Luciano Alpes

Criador e Editor Chefe - Designer Gráfico, sempre foi um curioso da área criativa. Ainda na faculdade, criou o MarcoZero como Projeto de Conclusão de Curso com o propósito de transforma-lo num canal de informação e divulgação da cena criativa/artística de Pernambuco. Maker, divide as funções diárias no design com a participação e a organização de eventos/projetos na área.

4 Comments

  1. Tombou de capote de couro de bode! Ele fecha e joga a chave fora! É o cara! Lacrou TUDO!

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