Entrevista #1 – O Design engajado de João Lin
O design não pode ser dissociado de uma posição política. O artista precisa ter consciência de que cada peça produzida vem acompanhada de um discurso, por isso cabe a ele escolher trabalhos que estejam de acordo com pontos de vista e questões pessoais.
É no que acredita o ilustrador, educador e designer pernambucano João Monteiro Vieira Melo, João Lin, há 21 anos atuando no mercado do Estado. E foi adotar essa linha de pensamento o motivo pelo qual desistiu do meio publicitário. “O olhar dessa área está muito voltado para as relações comerciais”, afirma. Tendo trabalhado na produção jornalística, hoje, Lin prefere se envolver em projetos com viés cultural. Na Balão Comunicação, empresa fundada por ele, ilustrações para livros e capas de CD’s são costumeiras e na Oi Kabum, ministra oficinas e palestras educativas. Além disso, tem formação em teatro – já foi diretor e ator.
Oficina Quanto Vale um Desenho – João Lin
Local: Biblioteca do Nascedouro de Peixinhos
Foto: Denison Lima /Oi Kabum
O começo
Diferente da maioria dos ilustradores, João não apresentou aptidão com os traços enquanto era criança. Aprendeu a desenhar só na juventude por causa do curso de edificações, ganhando experiência em desenho arquitetônico. Para aperfeiçoar a técnica na ilustração, participou de várias oficinas, no entanto é praticamente autodidata. Também ingressou nas graduações de teologia e jornalismo, mas não concluiu nenhuma. “Atuei em movimentos sociais, estudantis, associação de moradores. Meus primeiros trabalhos foram para eles”, lembra.
Na publicidade
Em uma agência de publicidade, Lin foi diretor de arte, função construtiva para carreira, mas que não repetiria. “Tive a sorte de trabalhar em um ambiente legal, onde aprendi muito. Mas o design na publicidade não permite erros, os acabamentos precisam ser perfeitos e o designer não pode correr riscos”, diz. O caráter comercial da área é o que mais desagrada o artista. “É um olhar orientando pelas vendas, existe sempre uma intenção de marketing por trás da criação de imagens”, fala.
Ilustração para calendário do Centro Agroecológico Sabiá – 2011
Produção jornalística
Mesmo não tento finalizado o curso de jornalismo, o tempo na graduação foi fundamental para o que viria a fazer nesse campo. Folha de Pernambuco e Diario de Pernambuco são alguns dos veículos para os quais ilustrou. Nesse último, abraçou o nome artístico Lin, dado pelo amigo e chefe Ral. “Eu tenho olho pequeno, era careca na época e usava só um rabo-de-cavalo budista. Diziam que eu era oriental”, se diverte. Nos jornais, além das ilustrações, criava charges. “O trabalho permitia abordar os temas com estéticas diversas, já que, na gênese, o objetivo não era vender”. fala.
Educador
João aposta na arte como caminho e ferramenta que propicia crescimento. Na função de educador, ele auxilia os alunos a aprenderem com objetos do próprio universo. “É uma construção coletiva do conhecimento, uma troca. Eles recebem de mim e o mesmo acontece na direção contrária”, afirma. Pensadores da pedagogia como Paulo Freire, Edgar Morin, entre outros, norteiam a educação popular aplicada por Lin nas oficinas e workshops que realiza.
Oficina Quanto Vale um Desenho – João Lin
Local: Biblioteca do Nascedouro de Peixinhos
Foto: Denison Lima /Oi Kabum
Na cultura
No que mais gosta de fazer, produções culturais como ilustrações para CD’s e livros infantis, “o artista pode errar, experimentar, se colocar como autor, discutir e refletir sobre o tema trabalhado”. Nesse âmbito, Lin segue criando, como acredita, ligado diretamente ao discurso proposto pelo trabalho. “Existe uma dimensão política em tudo que fazemos, seja na vida afetiva ou profissional. Na ilustração eu faço de maneira intencional”, assegura.
O mercado
Na concepção de Lin, o mercado para ilustradores está passando por uma ótima fase. “Desde que comecei a trabalhar nunca o vi tão aquecido, ativo”, garante. O ilustrador enxerga novas oportunidades na área, espaços que não eram tão explorados no começo de sua carreira. “Os quadrinhos, por exemplo, oferecem um mundo de possibilidades, principalmente nos meios digitais”, diz.
Ilustração em Pernambuco
“Por todos os lados vemos referências distintas. Graças a Deus não temos uma tendência na ilustração daqui. Em Pernambuco, se criou um ambiente privilegiado com influências de várias partes. É um tempo em que tudo pode estar junto”, afirma. E quais seriam, para João, os nomes da ilustração pernambucana? “Samuca, do Jornal do Commercio, Jarbas, do Diario de Pernambuco, Rosinha Campos, ilustradora de livros infantis, Rafael, da Folha de Pernambuco, e muitos outros”, aponta.
Cartum para o Suplemeto Cultural do diário oficial do Estado de Pernambuco – 2010

Ilustração para o calendário 2011 da AMPPE (Associação do Ministério Público de Pernambuco).
Ilustração para o livro “Beatriz em Trânsito” Eloi Elisabete Bocheco – Editora Dimensão – 2007
Cartum publicado na revista “Bravo” – Editora Abril – 2009
Capa do CD “Depois da Chuva” de Tonino Arcoverde sobre poesia do poeta Cancão – 2011
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mt bom!
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Este cara é tipo… um monge desenhista. ahahah Lin é o cara!
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Adorei seus cartum, é impressionante tamanha beleza. Amei
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que bom que te achei tava com saudades de ver esses desenhos lindos
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parabéns pelo seu trabalho! suas ilustrações refletem a simpatia e a alegria do pernambucano!
Sou paulista, estive recentemente em Pernambuco e essa simpatia me contagiou!
Fui à Casa de Mestre Vitalino e vi lá suas ilustrações, a contar a história do mestre, de forma muito expressiva!
Adorei o livro! Os desenhos são muito vivos e contagiantes! -
Que surpresa maravilhosa encontrar esta entrevista com João Lin, um artista que tanto admiro. Ilustrou meu livro Beatriz em trânsito pela Dimensão. PARABÉNS pelo blog! Grande abraço



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