Um dia desses corri para pegar meu ônibus e acabei torcendo o pé em um buraco na calçada da Av. Rui Barbosa, próximo a Praça da Jaqueira. Fiquei 15 dias com o pé engessado e com uma dificuldade ainda maior de me locomover nas vias públicas do Recife. Essa história aconteceu comigo, mas tenho certeza de que não é inédita para você que está lendo, já que os dados de 2012 da ONG Mobilize apontam que Recife é a 4° cidade do país no ranking das piores calçadas. No dia-a-dia nós sabemos bem o que essa estatística representa.

Alguns pensadores afirmam que se pode medir a civilidade de um povo pelas condições de suas calçadas. Infelizmente, o descaso com nossos caminhos deixa bem claro a importância que damos tanto ao espaço público quanto a mobilidade dos pedestres em nossa cidade. Segundo o IBGE, 30% dos deslocamentos nas cidades brasileiras são feitos a pé, no entanto, qual a importância de cuidar das nossas calçadas se ninguém vai caminhando comprar o pão, não é mesmo?

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A construção e manutenção da calçada é de responsabilidade do proprietário do lote onde essa se encontra. Apesar de já existirem propostas de como deve ser construída uma calçada ideal, inclusive na nossa legislação, essas recomendações não são seguidas, muito menos fiscalizadas. Tudo isso denota como deixamos em segundo plano o deslocamento a pé, tão necessário para vigilância social, tão essencial para apreciação da paisagem e sensação de pertencimento e completamente possível numa cidade plana como Recife.

Existem propostas para transferir a responsabilidade da manutenção e construção das calçadas para o poder público, pois na mão dos proprietários elas não estão sendo bem cuidadas. Eu sou da opinião de que deve-se manter as calçadas como um bem privado, porém, regulamentando e fiscalizando o dimensionamento, o material de construção e desenho ideal, levando em consideração sombra e acessibilidade e acima de tudo não esquecendo de integra-las com todo o sistema de mobilidade da cidade.
Imbuída desse sentimento de que todos somos responsáveis pela cidade que vivemos, e que não devemos delegar o cuidado dos nossos espaços coletivos somente aos nossos representantes políticos, cito abaixo maneiras simples de cada um fazer sua parte com ajuda da tecnologia, denunciando e mapeando as condições da cidade em que vivemos.

App Cidadera

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O aplicativo Cidadera nos permite denunciar não somente buracos nas calçadas como também semáforos quebrados, entulhos, vazamentos e outros descasos. O app é gratuito e funciona em sistemas operacionais de IOS e Android.

Campanha Corrida Amiga | #Calçadacilada

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No próximo dia 28 de março, o projeto Corrida Amiga convida voluntários para participar da campanha #Calçadacilada com o intuito de mapear passeios públicos com grande fluxo próximos a equipamentos importantes, como escolas e hospitais, que estejam em condições precárias de utilização, através do aplicativo citado aqui em cima, o Cidadera. Mais informações de como participar neste site.

Calçadas que andei

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A fanpage Calçadas que andei propõe o levantamento, através de fotos, dos passeios da cidade, não só para ressaltar a beleza como para denunciar o descaso.

Existem várias outras maneiras de você fazer sua parte, não necessariamente denunciando um buraco que você caiu mas também ajudando na manutenção da calçada da rua que você mora ou mesmo propondo uma melhoria. O importante é manter a discussão em pauta e ter a certeza de que todos somos responsáveis pelos buracos nos nossos caminhos.

Para saber mais

– O livro “Calçada: o primeiro degrau da cidadania urbana” do arq. Francisco Cunha e do eng. Luiz Helvécio traz um levantamento das calçadas do Recife, aponta exemplos de calçadas, mostra a legislação e apresenta soluções para os passeios de nossa cidade.

– A ONG Mobilize Brasil é um portal dedicado ao tema de mobilidade urbana sustentável.

Site da Secretaria de Mobilidade e controle urbano da Prefeitura da Cidade do Recife

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Marco Zero

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